Está vazio aqui por dentro no sentido de que estou limpando todo o meu corpo, precisamente minhas lembranças. Quero falar de penas. Quero falar de bebidas, tempo de abandono e olhar fugitivo. Não, não é mais uma das minhas tentativas de se buscar uma poética similar a de alguém que admiro. Pode ser uma mistura de desabafo. Eu gosto de penas. Depenei um recentemente. Ou será que foi ele que me depenou? Estou tirando até agora o gosto ocre na boca que ele despejou. Limpei o suor e falava de água. Nada com nada. Estava bastante alterada pra racionalizar possibilidades de textos encenados naquele cenário. Que cenário! Eu rodeei a mim mesma em pouco tempo de pesar as coisas e as pessoas. Estou procurando não sentir culpa pelo acontecido. Por que essa cultura de achar que o que eu fiz é errado, nojento, incerto e ... vagabunda! Vagabunda! Vagabunda! Sua vadia você merece mesmo é porra na sua boca, senta aí e toma! Toma! Toma! Lá fora meus amigos. Aqui dentro devassidão. Estou falando de carência, Thalles. Seu nome tinha que ser estrangeiro. O de fora me engloba, me consome, me arrasa, me arranha, me abraça. Eu nem sequer havia trocado nada de olhar. Só senti como fêmea. Como fêmea eu sei que você vinha, mas eu sempre considero uso quando não se faz o programa completo. Só chupetinha não dá certo. Era pra ter me comido, posto em água fervendo, me colocasse em estado de se quebrar o pescoço, me colocando de cabeça pra baixo e deixar meu sangue descer todo pra cabeça. Quebra! Quebra! Quebra logo, vai. E me ver assim se debatendo no seco, na margem, no meninozinho do rio que provoca arrepios. Ser cambaleante de lantejoulas e purpurinas. É hora de entrar na avenida e sambar, meu moreno. Você sempre quis não foi? Não era esse seu sonho de dar a volta no sol? Você deu. Deu. Deu e eu comi. Todo entalado na garganta. Agora desce! Você vai ter que descer! Estou falando de corpo, Thalles. Entende, thalles? Fala de amor não cara! Eu não quero saber de amor. Quero o presente e o presente eu não pressinto, eu só vivo, meu irmão. Vivo equilibrando os riscos dessa revolução. Ai, ai, ai. Você não me protegeu, thalles... Cala a boca, caralho! Fica quieta, abre as pernas. Aquele momento que a sua pele fria toca a água fervendo... tá doendo, porra! Tá doendo. A lágrima vem de dentro e congela na minha abertura inchada. Estou cansada. Você vai me deixar em casa. Não estou pedindo, estou decidindo. Eu decido sobre o meu corpo, sobre a minha vida, sobre meus não amores. Não olha pra mim só dirige. Não conheço você. Cuspo. E não volte. Foi só umazinha de nada, pouca coisa é pra esquecer. Carnaval dura o ano todo, Thalles. O ano todo.
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Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. Clarice Lispector
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