Não me vejo esquecendo. Por mais que tudo que eu viva tenha um lado doloroso não me vejo esquecendo, ou mesmo querendo esquecer. Percebi que a memória é o que tenho de mais meu na vida. As lembranças e o tudo vivido ninguém toma de mim. Eu me dou o direito de viver até as últimas consequências a dor de se ter vivido. Quer dizer que eu vivi, sabe? Eu não vegetei, eu não deixei passar, eu não camuflei... Perder as memórias seria mais doloroso do que não escrever. Do que eu escreveria se não as tivesse? Do quê? Podem reclamar, difamar, podem cogitar, mas não tirarão de mim o direito de viver e ter histórias para contar.
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Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. Clarice Lispector
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